Resenha - Eu sei o que você está pensando

5 comentário(s)

Pense em qualquer número de um a mil. Agora veja como conheço seus segredos.

Escrever um livro de suspense hoje em dia não é fácil. Isso porque o autor novato cairia em comparação com tantos gênios e mestres consagrados do gênero, e dificilmente poderia ser de fato comparado em nível a tais mestres, o que o levaria, de certa forma, à rejeição. Os – poucos – que conseguirem romper essa barreira estabelecida pelo alto padrão da literatura policial de séculos passados (só pra constar, Conan Doyle, Agatha Christie e tantos outros) já teriam aí um grande mérito. Se conseguirem reinventar o gênero, então, terão encontrado a estrada para o sucesso.
John Verdon se encaixa nesse limitado grupo de autores contemporâneos de romance policial (de mãos dadas a Harlan Coben) que não temem comparações, e, assim, têm a coragem necessária para inventar suas próprias histórias, métodos, personagens, crimes.
Como amante do gênero, isso me deixa imensamente feliz. Sherlock Holmes (de Conan Doyle) e Hercule Poirot (de Christie), com certeza achariam no mínimo intrigante a ideia de um encontro com Dave Gurney (protagonista de Verdon) e Bolitar (de Coben).
Tudo isso, é para deixar claro que a obra audaciosa de estreia de John Verdon como autor de livros policiais, Eu sei o que você está pensando, cumpre o que sua muito bem elaborada sinopse promete e nos traz um célebre personagem, que, se continuar assim nas próximas obras, tem chances de fazer história.
Dave Gurney é um brilhante detetive aposentado, que se muda com a esposa para o campo em busca de uma vida bucólica e tranquila.
A aparente paz do casal é interrompida quando Mark Mellery, um ex-colega de Dave, com quem não se encontrava há 25 anos, o procura, desesperado, pedindo ajuda para solucionar um enigma.
Mark recebeu bilhetes ameaçadores de alguém que aparentemente sabe muito de sua vida e de seu passado. E, o mais assustador, de sua mente. A pessoa pede que ele pense em um número de um a mil. Mark pensa em 658. Então, o bilhete pede que Mark abra um segundo envelope menor – que continha, justamente, o número 658.
Com as ameaças em forma de poema e com o fato de termos um maníaco capaz de “ler mentes”, Dave não consegue deixar de envolver-se com o quebra-cabeça. Principalmente quando ele se torna cada vez mais estranho, com pistas que levam a lugar nenhum e detalhes praticamente impossíveis de serem solucionados.

“Eu farei o que fiz
Não por dinheiro ou prazer,
Mas por dívidas a serem pagas
E correções a fazer.
Por sangue que é tão vermelho
Como uma rosa pintada.
De modo que cada um saiba
Que colhe a semente plantada”
(Poema de ameaça a Mark Mellery, pág. 35).

Os personagens secundários são também um ponto forte da trama, deixando tudo mais crível, principalmente as conversas da polícia, envolvendo o capitão, o promotor, e demais encarregados do crime, que sempre geram diálogos interessantíssimos.
O próprio drama pessoal de David também é explorado, além de sua relação com a esposa, o que gera cenas mais monótonas, mas importantes para quebrar o ciclo da narrativa e balancear as cenas, além de possibilitar que nos conectemos mais emocionalmente com o detetive “aposentado” (sei...).
O final é interessante e previsível até certo ponto, devido às reviravoltas da trama. Não chega a ser de todo original, mas, com certeza, não decepciona. Pelo contrário, cumpre bem o papel de deixar-nos com vontade de saber qual será o próximo caso de Dave Gurney, que, com certeza, será também delicioso de se acompanhar.

Trecho: “– Quanto aos números – disse Blatt, mudando abruptamente de assunto –, isso tem que ser algum tipo de hipnose ou percepção extrassensorial, não é? (...).
Hardwick compartilhava os sentimentos de Gurney nesse aspecto e respondeu primeiro:
– Meu Deus, Blatt, quando foi a última vez que a polícia estadual investigou um crime envolvendo controle místico da mente?”(Pág. 149).


Informações:
Título: Eu sei o que você está pensando
Autor: John Verdon
Gênero: Romance policial, suspense
Editora: Arqueiro
Páginas: 352

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Agradecimentos à editora Arqueiro, por ceder o livro para o blog. Saiba mais sobre ele clicando aqui.



5 comentários:

Natalia Dantas disse...

Olá, Fabi!
Tenho este livro em casa e até agora não li, creio que depois dessa resenha irei dar uma alavancada nas minhas leituras e incluir este livro na lista. Parabéns pela resenha!

Abraços.
Entre Livros e Livros.
http://musicaselivros.blogspot.com.br/

Carolina Ribeiro disse...

Desde que li uma resenha e a sinopse desse livro, ele entrou para a minha lista de compra *-*
Estou viciada em suspense e thrillers e o John Verdon parece desenvolver o assunto mtu bem :)

http://autoracarolinaribeiro.blogspot.com.br/

Fabrica dos Convites disse...

Oi Fabiane, tenho muita curiosidade em relação a este livro, não por acaso ele está na minha lista de leitura faz um tempão. Ah, os marcadores chegaram sim viu, assim que der posto foto no blog.
Bjs e obrigada.
Rose.

Folhas de Sonhos artesanatos disse...

Oi. Não sabia que poderia ser tão interessante. Na verdade, com esse titulo sem graça, eu não daria nada.. rs. Poderia ter trabalho mais o título, mas que bom que o livro é bem feito!

Luciana

Cris Aragão disse...

Eu adoro livros policiais, e sendo bem recomendados fico mais tranquila de começar a ler. Ainda não li nenhum livro desse autor, mas com certeza já está na minha lista de desejados.

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