Resenha: Dançando sobre cacos de vidro

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“Nesse momento estávamos descalços e dançando sobre um mar de cacos de vidro. Por mais verdadeiro que isso fosse, porém, Mickey sabia que eu dançaria com ele para sempre se pudesse, mesmo que meus pés sangrassem”.

A melhor resenha para este livro seria: pare tudo o que você está fazendo agora e corra ler!
Quase me faltam palavras para expressar a emoção que a leitura de Dançando sobre cacos de vidro transmite. Uma história pura e tocante, um dos livros mais lindos já escritos sobre o amor.
Lucy e suas irmãs tiveram uma infância e uma adolescência difíceis. Perderam o pai muito cedo, vítima de um acidente, e, anos mais tarde, a mãe, vítima de câncer.
Com um histórico agressivo de câncer na família, as chances de Lucy não são boas e, vivendo a vida como se estivesse sempre dançando sobre cacos de vidro, ela passa os dias com dificuldades.
Dificuldades que ao mesmo tempo em que são suavizadas, são também intensificadas, quando ela se apaixona por Mickey.
O rapaz também tem uma história triste, tendo perdido a mãe para o transtorno bipolar, e agora convivendo com o mesmo mal, tentando compreender como sua mente funcionava desde muito novo.
O romance entre os dois se desenrola, levando ao casamento. Sempre românticos e melosos, ambos são também levados a compreenderem e aceitarem um ao outro e a si mesmos, lidando com o câncer e o transtorno bipolar e os desafios de um casamento tão delicado e arriscado.
A narrativa e o seu tempo são alternados, mesclando não apenas as vozes da narração como o tempo em que as cenas ocorrem, o que faz com a leitura ganhe um excelente ritmo e prenda do início ao fim, tornando-se sempre leve e fluida.
A autora, que teve este livro como sua estreia literária, provou-se excelente na construção dos personagens, de suas personalidades, seus sentimentos, medos e também dos relacionamentos entre eles. Ela soube colocar drama e romance na medida certa para criar uma obra memorável e respeitável. Mas não se esqueça de ler com lencinhos à mão, porque as lágrimas são inevitáveis.
Há também, na obra, um bom destaque para a bipolaridade, levando nós, leitores, a conhecermos melhor o transtorno e as dificuldades de quem o possui. Eu amei Mickey e suas facetas e amei Lucy, bem como o amor que eles sentem um pelo outro, que é maior que qualquer transtorno, doença, fatalidade, dificuldade, ou mesmo maior que qualquer uma das peças que o destino tentou lhes pregar. Muitas lições ficam ao final do livro e, mesmo que o amor não cure tudo, ele certamente dá um propósito para todas as nossas danças.

Trecho: “O ano em que me apaixonei por Mickey não foi como os romances que a maioria das garotas costuma fantasiar. No meio das dificuldades, às vezes eu dava um passo atrás para tentar me analisar (...). Minha única certeza era a de estar me apaixonando por um homem que, aos 11 anos, concluíra que era diferente do restante do mundo. Um homem que crescera com medo do modo como sua mente funcionava. Eu estava me apaixonando por um homem que se esforçava ao máximo para me fazer entender quanto ele se sentia imortal às vezes e quão expansivo, autoritário e egoísta também podia ser. Ocasionalmente isso me assustava, mas então Mickey me oferecia uma saída” (Pág. 88).

Informações:
Título: Dançando sobre cacos de vidro
Autora: Ka Hancock
Gênero: Drama
Editora: Arqueiro
Páginas: 336

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Resenha de "Adultério", de Paulo Coelho

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“Porque acredito mesmo que grande parte das doenças seja resultado de emoções reprimidas”.

Já li livros do Paulo Coelho para todos os gostos: muito bons (como Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei), bons (O Alquimista; Brida), medianos (Verônica decide morrer, por exemplo), e até mesmo fracos (como As Valkírias), entre outros. Ou seja, ele não é um autor cujas obras sempre me encantam, apesar de algumas delas terem me trazido boas reflexões. Quando recebi a proposta da editora Sextante, parceira do blog, para ler em primeira mão o novo livro do autor, que já está gerando bastante polêmica, não pensei duas vezes. Queria ler e tirar minhas próprias conclusões a respeito de mais essa obra do autor nacional mundialmente consagrado por suas obras místicas, intensas, e que nem sempre agradam a todos, mas que certamente geram polêmicas.
O romance Adultério, considerando minha rápida classificação anterior (que obviamente é subjetiva), estaria no grupo dos medianos, e nos próximos parágrafos explicarei os motivos.
Na obra, acompanhamos a trajetória de Linda, uma mulher na casa dos 30 anos, casada e mãe de família, cujo marido está na lista dos 300 homens mais ricos da Suíça. Ainda assim, apesar de ter a vida perfeita, com a qual muitos sonham, ela não é feliz.
Linda sente uma espécie de vazio, uma sensação atormentadora de que já atingiu tudo em sua vida e nada nunca mais irá mudar ou lhe surpreender.
Porém, antigos e novos sentimentos colidem quando ela reencontra Jacob, seu antigo namorado de adolescência, devido a fins profissionais.
Assim que o encontra, Linda cede a seus impulsos e comete o primeiro ato de adultério de outros que estavam por vir.
Apesar da paixão que sente por Jacob, ela não deixa de amar o marido ou os filhos, mas passa a ver a vida de outros ângulos.
O livro, segundo Paulo Coelho disse em entrevista, é uma sátira ou mesmo um “flerte” com a onda “50 tons de cinza”. Já aproveito para deixar aqui registrado que, por possuir conteúdo erótico, ele não é recomendado aos leitores mais jovens. Porém, o livro é mais que isso.
Em vários momentos, Paulo Coelho faz uma análise profunda e complexa da vida e dos questionamentos que nos fazemos inevitavelmente ao longo dos anos. A busca pela felicidade, o propósito da vida, o que nos dá alegria.
Ao mesmo tempo em que é profundo e certeiro em diversos aspectos das relações humanas, o livro Adultério peca pelo excesso de clichês na construção de seus personagens e pela previsibilidade da trama, que não surpreende ou cativa absolutamente. É um bom livro, mas em qualquer dos gêneros nos quais tenta se encaixar: erótico, drama, romance, acaba sendo raso. Entretanto, leva à reflexão em vários momentos e acaba se tornando uma leitura bastante interessante e merecedora de nosso tempo.

Trecho: “Depois de certa idade, passamos a usar uma máscara de segurança e certezas. Com o tempo, essa máscara gruda no rosto e não sai mais. Quando crianças aprendemos que, se chorarmos, recebemos carinho; se mostrarmos que estamos tristes, recebemos consolo. Se não conseguimos convencer com nosso sorriso, seguramente convenceremos com nossas lágrimas. Mas já não choramos – exceto no banheiro, quando ninguém está nos ouvindo – nem sorrimos – só para nossos filhos. Não demonstramos nossos sentimentos porque as pessoas podem nos julgar vulneráveis e se aproveitar disso. Dormir é o melhor remédio” (Pág. 46).

Informações:
Título: Adultério
Autor: Paulo Coelho
Gênero: Romance
Editora: Sextante
Páginas: 240

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"Jogando xadrez com os anjos" na Feira do Livro de Londres

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"Playing chess with angels", após a feira de Frankfurt, na Alemanha (fotos aqui), agora na Feira de Londres. Palavras do editor da Universo dos livros, Luis Matos, sobre o evento: "Mais uma conquista da Universo dos Livros. A única editora brasileira com stand na London Book Fair e oferecendo direitos de autores nacionais com seus livros já traduzidos para língua inglesa. Após Frankfurt, com livros de autores nacionais vendidos para 12 países, devemos chegar a 20 países com, espero eu, licenciamento de pelo menos um livro de ficção nacional de autor que publicou seu primeiro livro na Universo. Uma conquista como essa, fruto do investimento que estamos fazendo no autor nacional, certamente será melhor do que qualquer lista de mais vendidos".





  

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Resenha: Enders (Starters #2)

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“Um lugar onde você pode ser outra pessoa”.

*(Esta resenha contém spoilers leves sobre o primeiro livro da série. Para conferir a resenha do mesmo clique aqui)*
Eu queria ter gostado mais de Enders do que de fato gostei. Gostaria de ter ficado animada, assim como fiquei quando li o primeiro volume da série, Starters.
Não sei se em todos esses meses que se passaram entre o lançamento dos dois títulos eu mudei meu gosto, me tornei mais exigente ou se este não era o momento certo para eu embarcar novamente na história de Callie. Ou, talvez, o livro seja realmente inferior ao seu antecessor, assim como o considero. Mas a verdade é que nada funcionou muito bem pra mim em Enders.
A história continua sendo boa, porém, o desenrolar perdeu o brilho, o que o torna, em minha opinião, um livro mediano (e o primeiro foi excelente!).
Callie está agora na mansão que recebeu no primeiro livro, vivendo com o irmão. Mas a tranquilidade é apenas aparente. A Prime Destinations, empresa que alugava os corpos dos starters, está destruída, mas a guerra contra o Velho ainda não chegou ao fim.
O vilão deixa bem claro no início do livro que não está pra brincadeira, através de atos terríveis que faz Callie presenciar e de ameaças que lhe faz, conversando com ela dentro de sua mente. Tudo isso é possível, pois há agora uma nova classe de starters, os Metais. Aqueles que possuíam os chips, que tiveram seus corpos alugados pela Prime, tornaram-se uma arma facilmente manipulável pelo Velho. Ele e seus comparsas podem entrar no corpo dos Metais e controlá-los para seus próprios fins, o que faz com que ninguém seja confiável, pois você nem mesmo tem certeza de com quem está falando. Além disso, esses chips podem ser explodidos, matando não apenas o starter, mas ferindo tudo e todos que estiverem ao seu redor.
A premissa é bem interessante, assim como o controle das mentes que o Velho agora possui, porém, faltou brilho na execução da trama como um todo.
O final é interessante, mas a tentativa de triângulo amoroso que houve na trama foi um pouco falha também (infelizmente, para evitar spoilers, não poderei falar mais sobre o assunto, mas quem ler o livro entenderá meu desapontamento).
Com todo o desespero para que seu chip seja removido, Callie faz aliança com um novo personagem, Hyden, que tem muitas informações a respeito do Velho e dos chips, e é muito importante para a trama. Juntos, eles buscam outros Metais e levam-nos para um refúgio que parecia ser seguro.
O livro, claro, tem seus méritos. Uma narrativa bastante ágil, uma linguagem direcionada ao seu público alvo (jovem adulto) e personagens interessantes, assim como uma premissa bem cativante. As falhas na execução e no brilho da trama não devem impedir ninguém de conferir a continuação de Starters, que mesmo se encerrando de forma fraca, continua sendo uma boa série como um todo.

Trecho: “Um Ender nos trouxe chocolate quente e sanduíche. Chocolate quente? Eu estava muito confusa. Éramos prisioneiros ou cobaias? Será que conseguiríamos o que mais queríamos, ou seja, a remoção dos chips? E se isso acontecesse, eles não precisariam mais de nós. Talvez fôssemos idiotas por pensar que eles nos deixariam ir embora” (Pág. 202).

Informações:
Título: Enders
Autora: Lissa Price
Gênero: Distopia
Editora: Novo Conceito
Páginas: 285

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Resenha: Poseidon (O Legado de Syrena #1)

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“A cor de seus olhos é significativa, mais ainda porque os Syrenas não convivem com seres humanos”.

Eu tinha altas expectativas para Poseidon. Quando fiquei sabendo que a Novo Conceito tinha adquirido os direitos e que, portanto, eu receberia um exemplar para resenha, fiquei bastante ansiosa. A sinopse, somada à capa maravilhosa, à proposta da série e aos bons comentários que o livro recebeu no exterior, fizeram com que eu realmente me empolgasse para lê-lo.
E talvez tenham sido exatamente as altas expectativas que me frustraram um pouco. Apenas um pouco.
Contudo, Poseidon ainda é um bom livro (que poderia ter sido excelente), principalmente porque a trama atinge bem seu público alvo e dialoga diretamente com os leitores mais jovens. Sendo assim, ela cumpre sua promessa, mas não a excede. Leitores mais maduros podem não ser fisgados pela trama, como eu pensava que seriam.
Na história, conhecemos a protagonista Emma e sua amiga durante uma viagem à praia, na qual a amiga acaba se tornando vítima fatal de um ataque de tubarão. Logo nessa cena, Emma já tem uma atitude inusitada com o tubarão, o que abre caminho para o desenvolvimento de todo o mistério que a ronda, a forma como ela interage com os seres do mar, o modo como não se encaixa no mundo dos humanos (parecendo sempre desajeitada e cambaleando na vida) e a cor diferente de seus olhos.
Falando em cambalear, justamente em um de seus tombos, logo na primeira cena do livro, Emma tomba com o bonitão Galen, que não estava ali por acaso.
Ele é um Syrena, um ser aquático, que pode se camuflar no reino dos humanos, e que trabalha como embaixador na terra, estando à procura de Emma por diversas razões que serão tratadas ao longo da trama.
Devastada pela morte da amiga, Emma tem de voltar à escola e lidar com sua perda, porém, tudo se torna estranho quando Galen surge em seu colégio e se aproxima dela, intrigado por seus estranhos dons e pela possibilidade de ela ser uma Syrena perdida.
Os personagens são pouco desenvolvidos ainda nesse primeiro livro da série. Porém, há bastante espaço para que a autora trabalhe, principalmente por meio do desenvolvimento de mais tramas envolvendo a realeza dos Syrenas e as duas grandes casas rivais, a de Poseidon e a de Tritão. A história tem, portanto, bastante espaço para crescer e se aprofundar nos temas iniciados no primeiro livro. O gancho deixado nas últimas linhas da narrativa é bastante interessante e deixa aberta a promessa de uma boa mudança, com mais suspense e mistério para o segundo volume da série.
A narrativa se alterna entre primeira e terceira pessoa, o que é interessante para mostrar diversos ângulos da história. Confesso que apesar de algumas ressalvas, achei o livro bastante divertido e carismático, com grande potencial para que a história cresça ao longo da série, visto que a premissa é realmente boa.
De forma geral pode-se concluir, então, que o livro possui personagens um pouco superficiais, além de um humor um pouco forçado, porém, possui méritos de abrir muito bem a trama da série, principalmente quando as cenas se passam nas profundezas do oceano. Além disso, de forma geral, é uma leitura rápida e agradável. Bastante leve e fluida. Vale a pena dar uma conferida. Espero que as expectativas que sobraram sejam alcançadas no próximo volume, que tem tudo para ser mais intenso. A nota final do livro seria 3,5, porém, como não costumo dar notas quebradas, vamos ficar com um 4, esperando que a continuação mereça um 5 ou, ao menos, faça mais por merecer seu 4.

Trecho: “Meu novo amigo nos segue até a superfície quando meus pulmões começam a arder. No caminho, Galen aponta peixes diferentes para ver se todos entendem. Conforme vamos passando, dou orientações. ‘Nade por ali, nade em círculo, nade devagar, nade para baixo’. Todos eles obedecem. Quando eu – e Golias – recuperamos o ar, muitos peixes nos cercam, o suficiente para encher uma piscina de cima a baixo. Alguns pulam para fora da água. Alguns mordiscam os dedos de meus pés. Alguns nadam por minhas pernas ou entre Galen e mim” (Pág. 174).


Informações:
Título: Poseidon
Autora: Anna Banks
Gênero: Fantasia
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288

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Resenha: Amigas para sempre

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“A música pode ter mudado ao longo das décadas, mas a promessa feita na Alameda dos Vaga-lumes permaneceu: melhores amigas para sempre”.

É sempre uma experiência incrível ler obras de Kristin Hannah. Com sua delicadeza e, ao mesmo tempo, com sua força narrativa, a autora constrói histórias de pessoas comuns, que enfrentam dores e perdas, tem de lidar com traições e recomeços. Suas histórias, assim como já ressaltei nas resenhas de O caminho para casa e Quando você voltar, são profundas, com personagens bem construídos e extremamente reais e com lições que levamos pra vida toda.
Mais uma vez, somos presenteados com uma narrativa especial e comovente.
Em Amigas para sempre, acompanhamos a amizade de Tully e Kate durante décadas. Uma amizade tão forte e duradoura, que mudou a vida de ambas desde quando eram ainda adolescentes, na década de 1970, e que enfrentará provações ao longo do tempo.
Começamos a história justamente nos anos 70, quando Tully era uma garotinha e vivia com os avós. Sua mãe, que passava anos sem procurá-la, levava uma vida meio alternativa e entregue aos vícios. Porém, Tully sempre sonhou com o dia em que a mãe viria buscá-la de uma vez. E isso acontece quando ela já se tornou adolescente e cansou de esperar. A frágil menina havia se tornado a garota mais popular do colégio, sempre fingindo para camuflar as feridas interiores. Mesmo assim, Tully vai morar com a mãe.
E é na nova casa, na Alameda dos Vaga-lumes, que ela conhece Kate, a garota tímida e sem amigos, que vivia na casa da frente.
Logo no início, Kate fica encantada com o jeito descolado de Tully e com sua facilidade de fazer amigos na nova escola, porém, isso a torna ainda mais rejeitada pelos colegas. A autora trabalha muito bem a adolescência das personagens, a dificuldade que os jovens têm para se aceitarem nesse período conturbado da vida, e como é difícil estabelecer amizades verdadeiras.
Ao longo das décadas, ambas tornam-se imprescindíveis à vida uma da outra e dividem momentos e segredos, lembranças que levarão para sempre e que rendem lindas cenas durante a narrativa. Os anos passam, a amizade perdura e se desenvolve, porém, a vida de ambas toma rumos muito diferentes, levando a acontecimentos que podem mudar tudo.
A autora fez também um excelente trabalho de referências ao longo das décadas que a narrativa atravessa. Fazendo menções à cultura pop e ao estilo de vida ao longo dos anos, retratando com maestria a evolução da sociedade, enquanto também desenvolve suas personagens.
É difícil fazer a resenha sem estragar as surpresas e reviravoltas da história, mas o mais importante a se dizer é que a profundidade dos temas abordados, das personagens construídas e das situações reais a que elas são expostas torna a obra uma leitura inesquecível, que me levou às lágrimas em diversas situações e me fez querer caminhar pela Alameda dos Vaga-lumes, compartilhando bons momentos com pessoas queridas.

Trecho: “Elas eram conhecidas como as meninas da Alameda dos Vaga-lumes. Isso foi muito tempo atrás – há mais de três décadas, para ser exata –, mas, agora, deitada na cama, escutando uma violenta tempestade de inverno do lado de fora, parece ter sido ontem. Na última semana (sem dúvida os piores sete dias de sua vida), ela havia perdido a capacidade de se afastar das lembranças. Ultimamente, muitas vezes voltava a ser 1974 em seus sonhos” (Pág. 9).


Informações:
Título: Amigas para sempre
Autora: Kristin Hannah
Gênero: Drama
Editora: Arqueiro
Páginas: 448

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Resenha: Terra sem lei

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“A verdade é que gosto do meu trabalho – disse Virgil. – Só não gosto o tempo todo”.

Terra sem lei possui todos os elementos das narrativas do consagrado autor John Sandford. Mistérios, reviravoltas, bom humor e um protagonista já conhecido pelos leitores.
O detetive Virgil Flowers tem suas férias interrompidas devido a um crime que precisa de seus serviços para ser solucionado.
Erica, uma mulher rica e bem sucedida, sócia em uma agência de publicidade, foi encontrada morta, com um tiro na testa, durante um passeio de barco na pousada na qual estava hospedada, a Ninho da Águia.
No local, dando início às investigações, vários detalhes da cena do crime chamam a atenção de Virgil e da perícia, assim como vários suspeitos são detectados. Algumas pessoas poderiam se beneficiar com a morte de Erica, já que ela estava prestes a comprar mais ações da agência, o que lhe daria mais poder de decisão, e muitos sabiam que assim que isso acontecesse, Erica planejava fazer uma limpa no quadro de funcionários.
Além disso, há anos ela tinha um relacionamento com outra mulher, mas não parecia estar sendo muito fiel à companheira, inclusive durante os dias em que passou hospedada na Ninho da Águia, que era uma pousada apenas para mulheres, e que, conforme Virgil foi investigando, guardava vários segredos obscuros.
Naquele local afastado de tudo, uma das diversões que as clientes da pousada encontravam, além da pesca, dos passeios no lago e de desfrutarem a natureza, era ir a um bar local, onde a banda de Wendy se apresentava.
Wendy é uma celebridade local, conhecida por sua boa aparência, temperamento forte e talento como vocalista. Ela conhecia a vítima que fora morta na pousada e parecia guardar segredos a respeito disso. Conforme dá prosseguimento às investigações, Virgil descobre cada vez mais detalhes que ligam a banda de Wendy não apenas ao assassinato de Erica, mas também a outros crimes ocorridos na região, que podem estar conectados.
Outras vítimas são feitas, enquanto a identidade do culpado não é descoberta, e até um crime do passado faz parte do emaranhado de informações que Virgil tem de compreender e interligar.
O livro é escrito de forma bastante fluida e dinâmica, com bons personagens e uma boa dose de humor. As únicas ressalvas são quanto ao número de personagens na trama e quanto ao seu desfecho. Há muitos personagens na história. Por um lado, isso é um mérito, pois aumenta o número de suspeitos e dá mais camadas à narrativa; porém, por outro lado, em alguns momentos o leitor pode se perder com tantos nomes que lhe são apresentados e que acabam não voltando à história ou não tendo importância alguma. Quanto ao desfecho, ele foi satisfatório para a narrativa e amarrou bem todas as pontas, contudo, foi um pouco previsível, o que não é um elogio quando se trata de livros de investigação criminal.
Deixando de lado essas pequenas ressalvas, o saldo final é positivo, pois o livro, sem dúvidas, possui mais acertos que erros. É uma boa trama de suspense e garante diversão e uma leitura rápida e de qualidade. Assim como já conhecia o trabalho do autor, irei continuar a ler suas obras sempre que puder.

Trecho: “Agrupadas no cais, umas dez mulheres assistiam à cena com aquele misto de curiosidade e horror que geralmente produzem os assassinatos. Virgil jogou uma corda na estaca, atracou o barco, saiu dele e firmou o casco para que Johnson e Don descessem também. Contou ao xerife sobre os peritos.
– Vamos lá ver se a gente consegue encontrar uma trilha no... no lugar em que o atirador deixou a estrada” (Pág. 29).

Informações:
Título: Terra sem lei
Autor: John Sandford
Gênero: Suspense
Editora: Arqueiro
Páginas: 288

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Resenha: O Presente

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“Você não faz tudo ao mesmo tempo, Lou. Você sempre decide fazer uma coisa em detrimento de outra. Existe uma diferença”.

Mais um livro da Cecelia Ahern que me conquista completamente.
A história, desta vez, é mais simples que em seus outros romances que já li, porém, não deixa a desejar em nenhum quesito. Pelo contrário, em O Presente temos mais uma linda trama, capaz de emocionar e levar à reflexão.
Durante a história, acompanhamos a trajetória de Lou. Aquela velha frase “é preciso se perder para realmente se encontrar” pode ser facilmente aplicada ao personagem, visto que ele se perde cada vez mais na vida e precisa aprender com todos os erros se quiser salvar seu relacionamento com as pessoas que ama.
Ele é um executivo bem sucedido, que vive com a mulher e os dois filhos em uma grande casa em Dublin, na Irlanda. Sempre apressado e movido por atitudes duvidosas, Lou magoa sua família constantemente. Sem tempo para comparecer aos compromissos familiares ou a dar atenção aos filhos e à esposa, ele se preocupa em subir de cargo no serviço e em ter casos extraconjugais. Uma vida de mentiras e aparências, que acaba por levá-lo a uma situação extrema: confrontar a si mesmo.
Literalmente.
Mas não posso dizer como esse “confronto” acontece, já que estregaria as surpresas da trama. É apenas necessário dizer que Lou precisa enxergar a si mesmo e suas ações de outros ângulos para aprender a valorizar aquilo que realmente importa.
Logo no início da trama, um novo personagem importante também nos é apresentado: Gabe, um morador de rua, a quem Lou leva um café certa manhã. Esperto e observador, Gabe dá dicas para Lou a respeito de seus companheiros de trabalho, já que ele observa o tempo todo, sentado na calçada, o movimento do prédio. Assim, Lou decide ajudar Gabe e lhe dá um emprego.
A relação de ambos é curiosa e até conturbada em alguns momentos, mas faz com que a trama se desenrole e com que Lou possa crescer como pessoa cada vez mais.
Novamente, usando um misto de temas como amizade, família, redescobrimento e até um pouco de fantasia, Cecelia Ahern nos entrega uma obra bem elaborada, com clima Natalino e pitadas de mistério.
Apesar de ter uma premissa consideravelmente simples, o livro em si é bastante profundo e comovente. Seu grande trunfo, com certeza, são os personagens, sendo eles bem construídos e dinâmicos.
Não perca a chance de ler essa obra, que é mais uma prova do quanto a escrita da autora mundialmente famosa pelo best-seller “P.S.: Eu te amo” é cativante e profunda, capaz de emocionar do início ao fim. Recomendadíssimo!

Trecho: “Não sabia que era impossível dizer à vida quando ele estaria pronto para aprender, e a vida estava lhe dizendo que estava preparada para ensinar. Ele não sabia que não era o caso de apertar alguns botões e, repentinamente, saber de tudo; não sabia que os botões a serem apertados estavam nele mesmo. Lou Suffern achava que sabia de tudo. Mas estava apenas começando a arranhar a superfície” (Pág. 155).

Informações:
Título: O Presente
Autora: Cecelia Ahern
Gênero: Drama
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320

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Dica Nacional: Daniele Nhasser

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Entrevista com a autora:

1- Daniele, muito obrigada pela entrevista. Comece falando um pouco sobre seu novo livro, Avisada em sonho.
Eu que agradeço imensamente o convite, Fabiane.
“Avisada em Sonho” é o meu segundo romance, que vem com uma escrita bem mais moderna e fugindo um pouco do enredo provável.
Vou deixar aqui para vocês o prefácio preparado pela escritora Márcia Abreu: 
Nossa querida Daniele Nhasser nos traz mais um livro que, certamente, irá conquistar um grande público, assim como Amor, és Real.
Avisada em Sonho não é um romance óbvio, daqueles que você sabe desde o começo como ele vai terminar, ao contrário.
O livro nos leva da realidade ao sonho e vice-versa a todo momento. Somos transportados para o mundo único da personagem, vivendo assim suas angústias, alegrias, desejos mais secretos, sua suposta loucura, e muito mais.
Com personagens bem construídos você se emociona; solta boas risadas em determinados momentos, em outros tem vontade de chorar ou, até mesmo, de esmagar um dos personagens mais pentelhos da trama.
Stella é uma moça bem sucedida, culta, inteligente que se vê presa em um sonho no qual ela acredita, fielmente, um dia poder desvendar.
Seria loucura? Estaria ela trabalhando demais? Leiam e descubram. Vocês irão se apaixonar, como eu, pelo universo inconstante de Stella.
Thiago é um gato, ou melhor, um sonho perfeito. O homem lindo que todas as mulheres gostariam de conhecer. Porém, será ele tão perfeito assim?
Um livro recomendadíssimo!
Agradeço a autora e amiga querida, por sua confiança e convite para falar um pouco de sua obra.
Para mim, e certamente para todos que conhecem seu trabalho, Avisada em Sonho será um sucesso!
Márcia Abreu
Autora das Séries:
Renascer, Frendaws e D'Ville

Resultado do sorteio: Desejo à meia-noite

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Chega ao fim mais uma promoção especial do blog Reino Xadrez em parceria com a Editora Arqueiro.
Aproveite para visitar o site da editora neste link e saber mais sobre seus lançamentos.

Então, vamos ao resultado deste sorteio que valia um exemplar do livro Desejo à meia-noite:


Parabéns, Fernanda!


Obrigada a todos os participantes e a Editora Arqueiro, por ceder o livro para o sorteio!