Literatura Nacional: Sinônimo de Orgulho

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Excelente texto e homenagem feita pelo leitor e colega escritor Raick Tavares, de João Pinheiros/MG, sobre a autora Fabiane Ribeiro e seu livro "Jogando Xadrez com os Anjos".



Resenha: Extraordinário

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“Não, não é tudo um acaso. Se fosse, o universo nos abandonaria à própria sorte. E o universo não faz isso. Ele cuida das suas criações mais frágeis de forma que não vemos”.

Não tem como falar do livro Extraordinário sem fazer um trocadilho com seu título. Vários adjetivos poderiam descrever essa obra, e garanto que seriam todos extremamente positivos, já que o livro facilmente entrou para a minha “listinha que não para de crescer” de favoritos.
Conhecemos aqui o extraordinário August Pullman, o Auggie, que está prestes a começar o quinto ano do colégio. Isso seria normal, se não fosse o fato de que ele nunca foi à escola antes e também de que seu rosto é... diferente.
Auggie nasceu com uma condição genética que deformou sua face, e, mesmo sendo ainda uma criança, já passou por vinte e sete cirurgias e, ainda assim, tem a face muito incomum, à qual as pessoas não conseguem olhar sem perceber.
Ele se acostumou com os olhares, com as expressões de receio e até medo, e com os cochichos quando passa, porém, ir para a escola é um grande passo. Antes, sua mãe lhe dava aulas em casa, então, enfrentar inúmeras crianças nos corredores e nas salas de aula certamente será um novo desafio para August, que possui alta experiência de vida para alguém com pouco mais de uma década.

“As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como os monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis depois que eles morrem. Como as pirâmides que os egípcios construíram para homenagear os faraós. Só que, em vez de pedra, são feitas das lembranças que as pessoas têm de você. Por isso nossos feitos são nossos monumentos. Construídos com memórias em vez de pedra” (Pág. 72).

O livro é narrado em oito partes, sendo algumas delas em primeira pessoa pelo próprio August, e outras por alguns de seus amigos e até mesmo por sua irmã.
Com capítulos curtos e narrativa simples, as páginas correm sem que notemos. August é um dos personagens mais bonitos que conheci, e não digo isso apenas contrastando ao fato de sua aparência ser descrita como tão feia, mas digo isso pela beleza como ele conduz sua vida.
Na maior parte do tempo, August se aceita e até lida com bom-humor com sua aparência, porém, há momentos, em que seu coração tão jovem chora, com medo e sem entender por que isso aconteceu com ele, por que seu rosto é assim.

“Não sei bem por quê, mas, de repente, comecei a chorar. Mamãe abaixou o livro e me abraçou. Não parecia surpresa por eu estar chorando.
– Tudo bem – ela disse baixinho em meu ouvido. – Vai ficar tudo bem.
– Desculpe – falei, entre fungadelas.
– Shhh – sussurrou mamãe, limpando minhas lágrimas com as costas da mão. – Não tem por que se desculpar...
– Por que eu tenho que ser tão feio, mamãe? – murmurei (Pág. 66).

Diversas vezes sentimentos nosso coração doer ao presenciar certos momentos difíceis que August encontra ao entrar para o colégio. Injustiça e preconceito mostram como é difícil para que o diferente seja aceito. Algumas pessoas têm medo até de tocá-lo. Contudo, bondade, amizade, valores familiares, humildade, coragem e boa vontade podem mostrar que o mais feio pode ser o mais belo, o mais legal, o mais extraordinário. Wonder, como no título original.
August quer participar, fazer amigos, viver sua infância como qualquer outra criança, mesmo seus desafios sendo maiores. Ele tem uma ótima família, que o ama incondicionalmente e o ajuda a enfrentar os problemas, além disso, ele consegue fazer alguns amigos no colégio, e outros, que podem não ser tão amigos quanto ele pensava.
Sua festa favorita é o Halloween, pois ele pode colocar uma máscara e sair por aí, sendo uma pessoa normal, deixando de ser julgado ou observado o tempo todo. Mas o primeiro Halloween no colégio não sai como ele esperava.
Belas passagens do livro também estão contidas na parte narrada por sua irmã Olivia. Ela mostra seu ponto de vista, como vê o August, como o ama, e como precisou entender muito cedo que não seria o centro das atenções em casa, que teria de se virar sozinha, pois seus pais estariam sempre ocupados com Auggie. As lições de vida são inúmeras e colocadas de uma forma que, sem perceber, suavizam a narrativa e fazem com que nos apeguemos ainda mais aos personagens.

“A mamãe e o papai sempre disseram que eu era a menininha mais compreensiva do mundo. Mas a questão é que eu apenas entendia que reclamar não adiantaria nada. Eu vi August depois das cirurgias: seu rostinho inchado e enfaixado, seu corpinho cheio de cateteres e tubos para mantê-lo vivo. Depois que você vê alguém passando por isso, parece loucura reclamar por não ter ganhado o brinquedo que pediu ou porque sua mãe perdeu a peça da escola. Aprendi isso aos seis anos. Ninguém nunca me disse. Eu simplesmente soube” (Pág. 89).

Confesso ter me emocionado em cada página, da primeiríssima até a última linha do texto. Eu aprendi a amar o Auggie e sua luta, e passei a achá-lo tão lindo, que me senti tão feia. Meu rosto não é deformado como o dele (aliás, a descrição de sua face pode ser chocante em certos momentos), mas meu coração também não é tão puro, nem minha visão de vida tão otimista e divertida como a dele. Cheguei à conclusão de que, para sermos belos, deveríamos todos ser um pouquinho parecidos com August Pullman.


Mais alguns trechinhos para apreciar:

“Não precisamos dos olhos para amar, certo? Apenas sentimos dentro de nós. É assim no céu. É só amor. E ninguém se esquece de quem ama” (Pág. 233).

“Se cada pessoa nesse auditório tomar por regra que, onde quer que esteja, sempre que puder, será um pouco mais gentil que o necessário, o mundo realmente será um lugar melhor. E, se fizerem isso, se forem apenas um pouco mais gentis que o necessário, alguém, em algum lugar, algum dia, poderá reconhecer em vocês, em cada um de vocês, a face de Deus” (Pág. 303).

“Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo” (Pág. 313).

“Sei que não sou um garoto de dez anos comum. Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Tenho um Xbox. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho. Sei que os outros não ficam encarando as crianças comuns aonde quer que elas vão (...). Mamãe e papai também não me acham comum. Eles me acham extraordinário. Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu” (Pág. 11).


Informações:
Título: Extraordinário
Autora: R. J. Palacio
Gênero: Drama, literatura infantojuvenil
Editora: Intrínseca
Páginas: 320

Borboletas azuis:



Resultado do sorteio: Jogando Xadrez com os Anjos + Corações em Fase Terminal (autografados)

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Obrigada a todos os participantes. Vamos, então, conhecer quem levará pra casa os dois livros da autora Fabiane Ribeiro, lançados até o momento, autografados. 
E quem ainda não conferiu o novo site, com novidades sobre os livros, clique aqui




Fique de olho no blog Reino Xadrez para mais promoções em breve!

Sorteio: "Jogando xadrez com os anjos" e "Corações em Fase Terminal" autografados!

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Em comemoração ao lançamento do meu novo romance, Corações em Fase Terminal, pela editora Universo dos Livros, e também do meu novo site: www.fabianeribeiro.com.br, estamos sorteando meus dois romances autografados!

Para participar, basta preencher corretamente o formulário abaixo. Lembrando que as regrinhas obrigatórias são apenas seguir o blog e deixar um comentário neste post, o restante são chances extras, você apenas faz se quiser mais pontos para concorrer. 

Este sorteio terá apenas UM vencedor, de qualquer lugar do Brasil, que receberá os dois livros autografados: Jogando Xadrez com os Anjos + Corações em Fase Terminal.

Vocês podem participar até dia 25/02/2015. Boa sorte!



Top 14 de 2014!

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Como já é tradição aqui no blog, todo mês de janeiro eu solto um top dos melhores livros que li no ano anterior. Você pode conferir o meu "top" do ano passado, clicando aqui. Então, sem demora, vamos conferir minhas melhores leituras de 2014. Teve muita coisa boa, e, como sempre, foi difícil escolher apenas 14 dentre os excelentes livros nos quais tive o prazer de viajar nos últimos 12 meses (os 14 escolhidos são perfeitos, e vários outros excelentes tiveram de ficar de fora)!

14. Passarinha: um livro extremamente comovente, sobre uma garotinha com Síndrome de Asperger, que tem de aprender a seguir sua vida sem o irmão, que era quem mais lhe ensinava sobre a vida, a protegia e compreendia como ninguém. Muito bem escrito e original, Passarinha, ao mesmo tempo em que é leve, consegue se tornar uma leitura complexa, forte e profunda.

13. O Presente: uma trama que pode parecer simples à princípio, mas que apenas Cecelia Ahern, uma das minhas autoras preferidas, consegue contar com um toque especial, transformando uma história de crescimento pessoal do protagonista, Lou, em uma verdadeira jornada mágica.

12. Incendeia-me (Estilhaça-me #3): finalmente pudemos acompanhar o desfecho dessa trilogia maravilhosa, que tem um pouco de tudo, romance, drama, ação, fantasia, e, claro, muita guerra. Uma distopia que consegue ser original e que nos conquista por apresentar personagens tão bem construídos, dos quais já estou com saudades.

11. Escravas de Coragem: um dos livros mais emocionantes que já li, conta a história de Lavínia, que durante a travessia entre Irlanda e EUA, é separada dos pais e, então, levada à uma fazenda, na qual se torna uma escrava branca. Recebendo o amor e o apoio dos negros, ela também se aproxima dos filhos do patrão, devido à cor de sua pele. Muito mais do que sobre escravidão, o livro é sobre as relações humanas mais complexas e sobre as escolhas que a vida nos apresenta. 

10. Não brinque com fogo: Assim como no ano anterior, eu não poderia deixar de fora um thriller de John Verdon, protagonizado por Dave Gurney. Desta vez, a trama gira em torno dos crimes cometidos pelo psicopata Bom Pastor, que agia dez anos atrás, mas que nunca foi pego. O autor consegue, mais uma vez, prender o leitor e inovar, em uma trama de mistérios do início ao fim.

9. Dançando sobre cacos de vidro: esse é aquele livro que toca nosso coração e nos lembra dos motivos pelos quais amamos tanto ler. Não há muito como descrever, basta dizer que é uma lição de vida e amor, e todos deveriam ler esse livro ao menos uma vez na vida.

Feliz 2015!!!

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Um dia, há poucos anos, eu sonhei – acordada – com uma garotinha. Ela se chamava Anny e queria mais que tudo o amor daqueles que a abandonaram. Vivendo na Inglaterra, presa em uma pequena casa, tudo o que ela tinha era um velho jardim, que, diante de toda sua fé, se tornava gigante. Ela não podia sair pra ver o mundo, mas o mundo todo estava ao alcance de seus sonhos, principalmente quando ela jogava Xadrez com os anjos.
Assim, a Anny ganhou forma, personalidade, e eu contei – o início de – sua história em 400 páginas, que acabaram por viajar o Brasil todo, entrando em muitas casas. E, depois, viajando ainda mais além.
Essas pessoas que conheceram a Anny muitas vezes me escrevem, mandam fotos e cartas que eu guardo com todo o amor do mundo. E, em 2014, cada um de vocês fez uma diferença tão grande na minha vida, que eu jamais poderia expressar.
Obrigada a todos que confiaram em meu trabalho, que o adquiriram, emprestaram, presentearam; que abriram as portas de suas casas e mentes à história da pequena Anny e seus amigos, o Pepeu, o senhor Hermes, a Desiré, a Nicole, o Sábio Bispo... Nenhum deles seria tão verdadeiro se estivesse apenas em mim. Eles saíram pra ver o mundo quando vocês permitiram que eles vivessem em suas estantes e cabeceiras.
Eu me emociono só de pensar em quantos lugares a Anny está vendo agora, em quantos lares está vivendo. Obrigada por, após terminarem a leitura, sempre me escreverem, de qualquer forma que seja, dizendo suas opiniões, me pedindo continuação, me perguntando se a Anny é real.
Ela é real para nós, e ela vai continuar a ser, pois estou passando esta mudança de ano trabalhando na continuação de sua história.
Por mais de um ano eu pensei que não faria uma continuação para o livro, pois eu pensava que havia terminado de contar a parte da vida da Anny que havia de fato planejado contar. Mas vocês me mostraram que a Anny ainda tem muito para ver e viver.
E, assim como ela, eu também sempre sonhei em sair e ver o mundo. Já havia viajado aqui pela América do Sul, mas foi em 2014 que me mudei para os EUA. E isso tudo está apenas começando, pois em 2015... Bem, os planos são tantos... mas com certeza eu vou levar a Anny pra visitar seu primeiro lar, sua terra natal.
Quando penso nesses seis meses que passei no exterior, e que são apenas o começo, tantos momentos vêm à minha mente.
Como quando eu dormi no Rockefeller Center, em Nova Iorque (sim, na calçada mesmo), na fila para ver um show da minha banda favorita, Maroon 5. E acabei quebrando o pé, mas valeu a pena, pra ver o Adam Levine cantando ao vivo bem à minha frente. Ou quando eu caminhei em uma praia deserta, em São Petersburgo, na Flórida, de madrugada, sozinha, e, embora tenha sentido um certo medo, me senti tão perto de Deus. É incrível como o som do mar faz isso com a gente. Ou quando acabei em uma boate um tanto indiscreta, com três amigas da República Tcheca, lá em Atlantic City haha. Ou quando assisti ao Fantasma da Ópera na Broadway. Quando cheguei ao Brazilian Day, em Nova Iorque, ao som do Daniel cantando Nossa Senhora, e senti tanta saudade de casa. Quando vi a neve. Quando ouvi música brasileira ao vivo em New Jersey. Quando conheci um dos Grandes Lagos, em Chicago. Quando comecei meu curso de escrita de roteiro na Johns Hopkins, e congelei por várias semanas, saindo de lá tarde da noite com temperaturas abaixo de zero.
Esses são apenas exemplos do que aconteceu nos últimos 6 meses. E, para 2015, os planos são ainda maiores. Os sonhos são maiores.
E, em meio a tantas viagens, ainda assim, sou feliz de dizer que meu coração tem um lar.
A Anny diria que o coração da gente vive junto daqueles que amamos. Não importa em que lugar do mundo eles estejam, qual a distância e o tempo que nos separam.
Eu tirei um tempo da minha vida para sair e viajar. Estudar. Conhecer pessoas e culturas. Aprender novos idiomas. Buscar inspirações para novas histórias. E, ainda assim, eu tenho bem definido dentro de mim onde é meu verdadeiro lar. Onde estão as pessoas que eu amo. Onde está uma pessoa especial, e se tudo é realmente verdadeiro, ele vai continuar a entender que eu preciso desse tempo pra mim. Porque, em 2014, os livros mudaram a minha vida de vez, e eu construí sonhos tão grandes, que só um ano não foi o suficiente para realizá-los. Eu preciso de 2015 para mais viagens, estudos e amigos. Preciso levar a Anny para diferentes cantinhos do mundo, junto de mim. Para, então, depois, poder voltar para o lugar do mundo que meu coração chama de lar.

2014 foi maravilhoso, um dos melhores. Que 2015 seja ainda melhor para todos nós!

Mais uma vez, obrigada a todos que acompanham meus devaneios. Meus escritos. Meus sonhos que se tornam realidade no papel. Feliz Ano Novo para vocês, meus amores.
No ano que está por vir, terei dois lançamentos (um deles está acontecendo nesta virada de ano, o Corações em Fase Terminal. O outro virá mais pra frente, ao longo dos próximos meses, “A menina feita de espinhos”) e espero que eles também possam conquistar um lugar na estante de vocês, e acima de tudo, no coração.

Obrigada por me fazerem entender, em 2014, que a maior riqueza da vida é dividir sonhos. E, quando vocês leem as minhas histórias, nós estamos sonhando juntos!
Que assim seja, que os nossos sonhos para 2015 sejam realizados!    
                

Obrigada. Obrigada. Obrigada.

"Corações em Fase Terminal": saiba mais sobre meu novo romance e como adquiri-lo!

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Olá, meus amores! Como estão?
Como vocês devem ter percebido, tirei curtas férias aqui do blog, mas garanto que não foi por vontade própria. Com minha mudança para os Estados Unidos e mais todas as mudanças da vida, acabei tendo pouco tempo pra postar, e quando me dei conta, estava um pouco afastada do blog. Mas agora, já mais adaptada à vida nova, voltarei a postar normalmente. 
Não poderia deixar de fazer com que o primeiro post deste recomeço fosse sobre meu mais recente lançamento.

O livro "Corações em Fase Terminal", escrito há alguns anos, e já lançado de forma independente, foi agora relançado pela Editora Universo dos Livros. Você pode conhecer melhor o livro no site da editora, clicando aqui.

Para quem deseja adquirir a obra, ela já está disponível nas melhores livrarias do país, e os links para compra online estão abaixo:


    

    

    

     


Lembrando que em 2015, o livro também estará à venda em catálogos alternados da revista Avon. Assim como ocorre com meu primeiro romance, Jogando Xadrez com os Anjos.

Para maiores informações, você pode adicionar o livro à sua estante do Skoob e curtir sua página no Facebook:

     


A leitora Bianca Soares foi a primeira a me enviar uma foto com seu exemplar deste lançamento. Espero que todos vocês curtam esta nova história e dividam suas opiniões comigo. 

Obrigada pelo carinho, Bianca!


E, quem quiser, fique à vontade para me enviar suas fotos com qualquer uma de minhas histórias, que irei publicar em meu álbum de leitores, assim como fiz com a foto enviada pela Bianca.


A leitora Bianca Soares e seu exemplar de "Corações em Fase Terminal"

Resenha – Amaldiçoadas (As crônicas das irmãs bruxas #2)

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Após uma espera que me pareceu bastante longa (devido à ansiedade), finalmente recebi e corri ler a continuação de “Enfeitiçadas”, essa série de irmãs bruxas que me conquistou no primeiro volume.
Na continuação, que recebe o título de Amaldiçoadas, começamos a acompanhar a narrativa já na nova vida de Cate.
No final do livro anterior ela havia tomado uma difícil decisão (não darei detalhes, pois esta resenha é livre de spoilers de todos os livros da série), então já começamos a narrativa do segundo volume acompanhando os desdobramentos de tal mudança e como está a vida da personagem.
Tudo o que havia de bom no primeiro livro está aqui. Personagens fortes e bem construídos, capazes de causar empatia. Uma narrativa bem conduzida, que mescla romance, suspense e fantasia na medida certa. Reviravoltas na trama e momentos surpreendentes. Uso da magia de uma forma criativa, embora existam inúmeras obras com a mesma temática.
E ainda assim, o segundo volume consegue superar o primeiro, principalmente por aprofundar os temas abordados e torná-los mais sérios, o que nos faz torcer ainda mais por Cate, suas irmãs e seus amigos.
A escrita de Jessica Spotswood continua cativante. Ela consegue ser simples, de uma forma que torna a leitura fluida e agradável, ao mesmo tempo em que consegue aprofundar os personagens e as tramas na medida certa, mesclando gêneros e criando uma atmosfera de perigo e tensão no mundo das jovens feiticeiras.
É interessante dizer que uma das características que mais me chamou a atenção no primeiro livro, o fato de a ambientalização ser muita boa, quase nos transportando para a Nova Inglaterra do passado, continua interessante, porém, desta vez, o clima de suspense e perigo é mais intenso, então a atmosfera toda do livro é mais sombria, o que tira o ar de leveza do volume anterior, no qual os chás e os feitiços eram agradavelmente bem contextualizados, mas agora perderam um pouco do espaço. Isso não é algo ruim, é apenas mais um bom sinal de que a história evoluiu e se aprofundou.
O final foi bastante intenso, a história caminhou bastante, e mal posso esperar pelo próximo livro e para saber ainda mais sobre as irmãs Cahill.

Informações:
Título: Amaldiçoadas
Autora: Jessica Spotswood
Gênero: Fantasia, Romance
Editora: Arqueiro
Páginas: 288

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Agradecimentos à editora Arqueiro, por ceder o livro para o blog. Saiba mais sobre ele clicando aqui. 

Resenha - Perdido em Marte

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Perdido em Marte é um bom livro. Porém, como estou acostumada com os lançamentos excelentes da Editora Arqueiro, este deixou um pouquinho a desejar.
A história me chamou a atenção de todas as formas possíveis, o que me fez solicitar a obra sem pensar duas vezes. Capa, título, sinopse e o fato de já ter sido vendido para uma adaptação cinematográfica.
Contudo, apesar de ser extremamente inusitado e original, a história é um pouco cansativa em seu desenvolvimento e peca no excesso de explicações científicas que apresenta.
Na obra, conhecemos a trajetória de Mark, um astronauta que vai à Marte e que talvez não consiga voltar de lá.
Devido a uma tempestade de areia, sua equipe retorna à Terra e o deixa pra trás, acreditando que ele estava morto.
Sozinho, sem formas de se comunicar com qualquer outra pessoa e deixá-los saber que ele está vivo, e com poucos mantimentos, Mark usa seus conhecimentos científicos em busca pela sobrevivência.
Muitas passagens interessantes surgem das formas inusitadas como Mark encontra para tentar gerar alimento naquele planeta pouco explorado, unindo ciência e bom humor. E também de seu plano mirabolante para tentar se comunicar com a NASA.
Há partes bastante surpreendentes e o protagonista é um personagem muito interessante. O autor soube transmitir bem os sentimentos que o rodeiam durante sua desesperadora jornada, prendendo o suspense em diversas partes e conquistando com seu humor inusitado e seus conhecimentos científicos.
Portanto, apesar das pequenas ressalvas feitas no início desta resenha, a leitura é indicada. A grande mensagem de luta pela vida, de jamais desistir, e um protagonista criativo, munido de boas e inusitadas ideias, fazem valer a pena a leitura. Além, claro, de ser um livro bastante diferente e único, o que anda meio difícil de se encontrar.

Informações:
Título: Perdido em Marte
Autor: Andy Weir
Gênero: Ficção Científica
Editora: Arqueiro
Páginas: 336

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Agradecimentos à editora Arqueiro, por ceder o livro para o blog. Saiba mais sobre ele clicando aqui. 

Resenha: Incendeia-me (Trilogia Estilhaça-me #3)

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“Terá valido a pena, no final. Lutar por uma vida inteira disto.”

Chegou a hora de dizer adeus a uma das minhas trilogias preferidas. Lembro-me de quando ouvi falar de Estilhaça-me pela primeira vez, e foi amor desde a sinopse. Sem contar a capa do primeiro volume, a escrita da autora, que me conquistou desde o início, as cenas iniciais, o desenvolvimento da personagem principal... Enfim, tudo me agradou no primeiro volume da série, e também no segundo.
Agora, no terceiro e último livro, devo dizer que não foi exatamente tudo que me agradou. Porém, as pequenas ressalvas provavelmente se devem ao excesso de exigência que eu estava para que a autora desse um bom fim para personagens aos quais eu tanto me apeguei. Tive decepções com finais de algumas outras séries, o que justifica minhas expectativas para esta.
Sendo exigência e expectativa exageradas de minha parte, os pequenos desapontamentos com o livro Incendeia-me foram nada mais que detalhes em algumas das resoluções. De uma forma geral, é um excelente desfecho para uma trilogia que certamente vale a pena conhecer.
A amizade divertidíssima entre nossa protagonista Juliette e Kenji, a resolução do triângulo amoroso, as batalhas e pequenas doses de política. O clima distópico que permeia a narrativa. Os diferentes dons dos personagens (algo similar a mutantes, como todos sabem). A força dos personagens. Humor, ação e romance. Tudo aquilo que nos encantou nos primeiros volumes da série, continuou presente em seu desfecho, trazendo a nostalgia necessária quando se lê um volume final.
Encontramos, aqui, Juliette mais forte e decidida que nunca. Após os eventos chocantes do final do livro anterior (Liberta-me), a protagonista cresceu ainda mais, aceitando e domando seus poderes e sabendo cada vez mais usá-los a seu favor.  De modo que torne a guerra algo pelo qual ela anseia, mesmo estando lutando no lado menos numeroso.
Munida também de um excelente plano, e contando com seus amigos sobreviventes, ela lidera o lado da batalha que luta pela reconstrução do mundo e pela queda do atual sistema.
Em termos de romance, não há surpresas quanto ao desfecho do triângulo amoroso, mas também não há decepções. E, sim, cenas bastante aguardadas pelos fãs do casal estão presentes na trama. Fiquei bastante feliz com o rumo que a história seguiu em seu aspecto amoroso e como os personagens envolvidos e as justificativas de suas escolhas foram abordadas.
Muitas coisas ficam após terminar mais esta série literária. Mas a principal delas é: tudo que a Tahereh Mafi escrever eu estarei lendo!

Trecho: “Meu corpo trava. Meus ossos, meu sangue, meu cérebro congelam no lugar, prendendo-se em algum tipo de paralisia repentina, incontrolável, que se espalha por mim tão depressa que parece que não consigo respirar. Estou engolindo fôlegos chiados, profundos e tensos, e as paredes não param de balançar em frente a mim. Warner puxa-me para seus braços. — Solte-me — eu grito, mas, ah, apenas na minha imaginação, porque meus lábios pararam de trabalhar e meu coração acabou de deixar de funcionar e minha mente foi para o inferno pelo restante do dia e meus olhos meus olhos acho que estão sangrando. Warner está sussurrando palavras de consolo que não consigo escutar e seus braços estão enrolados inteiramente ao redor de mim, tentando me manter inteira por meio de pura força física mas não adianta. Não sinto nada.”


Informações:
Título: Incendeia-me
Autora: Tahereh Mafi
Gênero: Romance, Distopia
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384

Borboletas azuis:




Agradecimentos à editora Novo Conceito, por ceder o livro para o blog. Saiba mais sobre ele clicando aqui.