Resenha: Na companhia das estrelas

3 comentário(s)

“Sentia como se meu coração pudesse explodir. É como se não pudesse conter tanta beleza”.

Na companhia das estrelas é um livro bonito e profundo em certos aspectos, porém, passei o tempo todo com a sensação de que poderia ter sido melhor.
A história é boa, há personagens legais (gostei muito do protagonista) e a escrita do autor é diferente, inusitada e interessante, capaz de fazer as páginas passarem de forma rápida. Ainda assim, faltou algo para a trama me conquistar completamente.
Conhecemos o protagonista Hig já em sua vida pós-apocalíptica. O mundo não é mais o mesmo. Quase toda a população da terra foi dizimada por uma gripe, e os que sobreviveram não vivem em um mundo como o conhecemos hoje.

“O não saber alguma coisa, a esperança, a dolorosa efemeridade: isso não é real, não como pensamos, e então deixamos passar, deixamos que se desenrole com leveza. O tempo que voa. É assim que parece agora quando olhamos para trás” (Pág. 277).

As poucas pessoas restantes no planeta ou estão doentes ou estão lutando para sobreviver em um ambiente não mais favorável, matando-se por armamento, alimentação e abrigo.
Hig é um bom homem, com um bom coração, e repleto de memórias – embora, segundo ele, já tenha chorado tudo o que devia, e, portanto, cansou de fazer isso (pois “existe uma dor da qual você não consegue se livrar”). Como os demais sobreviventes do planeta, ele perdeu sua família, seus amigos e sua casa. Agora, vive em um aeroporto, na companhia de seu velho cão, Jasper, e do um vizinho e amigo, Bangley.
Hig e Bangley não podiam ser mais diferentes, mas são essas diferenças que geram bons diálogos ao decorrer da história, e, inclusive, que garantem a sobrevivência um do outro – Bangley é treinado para matar qualquer um que se aproxime da região em que eles vivem, enquanto Hig percorre os céus em um antigo avião, tentando sempre visualizar qualquer possível invasão ao perímetro.
Contudo, ele não está sozinho em seus voos. Jasper tem sempre o lugar do copiloto.

“Daqui de cima não havia infelicidade, sofrimento, conflitos, apenas desenhos e perfeição. A quietude imortal da pintura de uma paisagem” (Pág. 68).

A amizade entre homem e cão é bem trabalhada, assim como os conflitos e pensamentos de Hig, que enriquecem a narrativa e fazem com que reflitamos o tempo todo sobre nosso mundo, nossa vida, as pessoas que amamos – e como seria ficar sozinho, sem todas elas, em um mundo completamente mudado e perigoso. Há grandes reflexões também a respeito do sentido de se estar vivo, bem como sobre a morte.

“Mais normais são as ausências (...). Fiquei pensando: morrer é assim? Ser solitário dessa maneira? Estar fortemente ligado a uma grande quantidade de amor e passar por cima dela, ignorá-la?” (Págs. 208 e 209).

Velhos hábitos ainda existem. Por exemplo, Hig adorava pescar, e, quando pode, ainda leva Jasper para relaxar ao lado do rio – embora muitas espécies e grande parte da natureza já não existam.
Porém, ele acaba descobrindo que já não se pode viver como antigamente, nem por poucos momentos. O mundo já não permite certos luxos, e até pequenos hábitos, antes inofensivos, agora podem ser perigosos. Qualquer descuido custa uma vida. Essa é a sensação passada durante toda a leitura.
Um dia, em um de seus voos, Hig capta um sinal de transmissão no rádio e, sempre sonhador, pensa na possibilidade de contato com outros seres humanos de forma amigável. Então, certo dia, ele faz um voo mais longo do que costumava fazer, mudando os rumos da narrativa.

Trecho: “Apenas uma volta. Uma volta da roda e estamos diferentes, nunca os mesmos. Jamais. Nem mesmo essas estrelas. Até elas decaem, desintegram-se, aglutinam-se, separam-se. Fecho os olhos. É o que está por dentro. O que está por dentro se movimentando, nadando em dor como um peixe cego nadando eternamente. O que sobrevive é o que permanece. Renova-se, renova o amor e a dor. O amor é o fundo do rio e a dor o preenche. Enche o rio de lágrimas todos os dias” (Pág. 148).

Informações:
Título: Na companhia das estrelas
Autor: Peter Heller
Gênero: Ficção, Distopia
Editora: Novo Conceito
Páginas: 408

Borboletas azuis:




Agradecimentos à editora Novo Conceito, por ceder o livro para o blog. Saiba mais sobre ele clicando aqui.

3 comentários:

thaila oliveira disse...

estou apaixonada pelo livro desde que vi sua capa e fiquei cativada por esse nome e fiquei com a impressão de ser bem parecido com o filme eu sou a lenda

http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

Fabiane Ribeiro disse...

Oi Thaila!

A capa desse livro é maravilhosa! Ela é toda metálica, me chamou a atenção desde que a vi!
Durante a leitura, eu realmente lembrei de "Eu sou a lenda", a atmosfera do texto é bem parecida mesmo.

Beijos,
Fabi

Fernanda - Trilhas Culturais disse...

Me apaixonei pela esta capa e já o separei para ler em julho junto com outro, mas confesso que tenho medo quando me apaixono pelas capas porque nem sempre a história nos cativa da mesma forma.

Postar um comentário