Resenha: Feche bem os olhos

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“Ilusão, o calmante universal”.

Mais uma obra de John Verdon que leio, me envolvo e não quero que chegue ao fim. Quero mais livros do detetive Gurney, mais enigmas e reviravoltas tão bem pensadas como as que vi até agora.
Em seu romance de estreia, Eu sei o que você está pensando (resenha), Verdon nos apresenta ótimos personagens e um caso de assassinato meio místico e enigmático, resultando em um livro fenomenal. Entretanto, em Feche bem os olhos, ele traz tudo isso de volta e consegue subir um pouco o patamar.
Temos, desta vez, uma tragédia ocorrida durante a festa de casamento de Scott Ashton com a jovem Jillian Perry, em que a noiva é assassinada brutalmente e todas as pistas levam a crer que tenha sido pelo jardineiro de Ashton, Hector Flores.
Com o assassino desaparecido, a mãe de Jillian procura o detetive David Gurney para ser consultor do caso e descobrir onde está Hector Flores.
A princípio, como sempre, Gurney hesita em aceitar, considerando que está aposentado, vivendo no campo, e que sua mulher não gosta muito da ideia de que ele continue atrás de criminosos durante essa nova fase de suas vidas.
Mas ninguém simplesmente deixa de ser o que é, nem deixa de querer fazer aquilo que faz de melhor. E Gurney investiga, soluciona enigmas e compreende as pessoas como ninguém.

“Havia fúria dentro dela, sem dúvida. Desespero. Um passado difícil, ele poderia apostar. Arrependimento. Solidão, mas ela não admitiria a vulnerabilidade que essa palavra implica. Inteligência. Impulsividade e teimosia – a impulsividade de agarrar algo sem pensar, a teimosia de jamais soltá-lo. E algo mais sombrio. Um ódio contra a própria vida? Chega, disse ele a si mesmo. Era fácil demais confundir especulação com percepção. Era fácil demais se apaixonar por uma suposição louca e saltar de um penhasco para segui-la” (Pág. 38).

Assim que o detetive aceita se envolver com o caso (por apenas 15 dias), ele imediatamente nos conduz por capítulos e mais capítulos atrás de provas, evidências, entrevistas a vizinhos e possíveis testemunhas, reuniões com o promotor e o capitão envolvidos com a busca pela verdade, etc. E isso tudo gera passagens ágeis e muito bem escritas no livro, prendendo-nos cada vez mais.

“Então, aos poucos, a sensação vertiginosa de desamparo e incompreensão foi substituída por correntes alternadas de medo e fúria. De modo pouco característico, abraçou a fúria. O aço da fúria. A força e a vontade da fúria. Abriu a porta e saiu à luz” (Pág. 252).

Conforme mergulhamos na história junto de Gurney, vamos descobrindo que a trama é muito mais profunda do que imaginávamos a princípio. Há mais moças desaparecidas – e possivelmente mortas –, e crimes terríveis parecem estar conectados, levando o próprio Gurney ao perigo.
O final é muito bom, não deixa pontas soltas e responde a todas as questões lançadas ao longo da narrativa de forma sucinta e bem pensada. Em alguns pontos, a grande revelação pode não ser tão surpreendente, mas em outros com certeza é. Não ficamos sabendo apenas dos nomes envolvidos, mas de muitos outros detalhes que conectam as respostas pelas quais tanto esperamos.
Verdon mantém sua fórmula de capítulos curtos e com títulos próprios, narrativa em terceira pessoa, cenas (escassas) em que são mostradas algumas pinceladas de “devaneios” do grande criminoso e uma narrativa ágil, brilhante, com cenas impactantes e descobertas de doer o coração.

Trecho: “Gurney não tinha ideia de quanto tempo fazia que estava sentado em seu carro, nem de como o veículo chegara aonde estava estacionado, nem de que horas eram. Só sabia que já era bastante tarde, porque estava escuro, que sentia uma dor de cabeça e uma tontura junto com uma sensação de ansiedade e náusea e que não tinha nenhuma lembrança de qualquer coisa que ocorrera depois da segunda taça de vinho durante o almoço” (Pág. 244).

Informações:
Título: Feche bem os olhos
Autor: John Verdon
Gênero: Romance policial, suspense
Editora: Arqueiro
Páginas: 432

Borboletas azuis:




Agradecimentos à editora Arqueiro, por ceder o livro para o blog. Saiba mais sobre ele clicando aqui.





6 comentários:

Camila Bezerra disse...

Adorei! Me lembrou muito as histórias do Harlan Coben, que sou fã.
Vou incluir na minha listinha, sem dúvida!
Ótima resenha, como sempre. Parabéns!

Camila - Meu Livro Cor-de-Rosa
http://meulivrocorderosa.blogspot.com.br/

VANESSAANGELQ disse...

Nossa adoro livros assim envolvendo:investigação, enigmas e reviravoltas,assassinato,suspense,mistério...
Deixa o leitor na expectativa de descobrir mais sobre o crime e quem é o assassino.O crime,cenário,personagens,as pistas,o detetive...fica mais eletrizante.
Muito bom os trechos do livro destacado,aumenta mais a curiosidade para ler o livro e descobrir o que acontecerá no final.

Lucas disse...

Feche bem os Olhos é incrivel. Dar vontade que não acabe mesmo. Totalmente imprevisivel, como os melhores romances policiais.

Fabiola Luz disse...

Você ganhou um selinho do blog Verdades do Meu Cotidiano. Veja aqui: http://verdademeucotidiano.blogspot.com.br/2013/01/selinho.html

Deyse Fagundes disse...

Faz tempo que eu não leio algum romance policial e esse parece ser do tipo bom! Gostei da boa avaliação e de só ver criticas positivas! ahaha Vou tentar ler ele1
Beijos

Ana Caroline Lima disse...

Li esse livro e adorei! Detetive Gurney é um dos meu detetives favoritos, só que ainda não li o primeiro livro, que bom que são histórias diferentes e não continuação!

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